As Forças Divinas de Deva e o alçapão. -A Guerra de Schindler - Parte 3

Para ler a Primeira Parte: Inóspido Lugar
Para ler a Segunda Parte: Segurança do Lar.



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           Formado inicialmente por Trezentos e vinte mil soldados, sendo cento e vinte mil unidades montadas. São chamados de as forças Divinas de Deva, foram definidas como a esperança final em defesa do mundo. Com a queda de Deus sobre a Terra e a morte de seus Filhos Deuses, o mundo estava a cargo dos homens e de entidades de menor poder. Por duas décadas os confrontos se deram, a raça humana estava fadada a extinção inevitável sendo consumida pelo poder do abismo e as criaturas do inferno. No entanto, surgiu a ultima luz, um jovem Meio-Divino tomou as rédeas da situação e unificou as nações e seus exércitos, desfragmentando as tropas e formando um exército único, mundial, sob a autoridade de um único comandante, este Meio-Divino era chamado de Arthas Yukai.

            Diz à lenda que era o ultimo filho de Deus na Terra, deixando antes de sua morte para liderar seus filhos mortais contra as forças do abismo. Arthas, chamado de messias por muitos e anti-Deus por outros, unificou e treinou cada general homem ou mulher da Terra, uniu cada criatura com centelha divina presente no mundo e buscou o calor da esfera do fogo para confeccionar as armaduras para o seu exercito.

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Morgana é sua arma. Um machado de duas mãos grande e extremamente pesado. A retirou da parede e mal podia segurar com uma das mãos, -vinte anos, pensou o velho Schindler – não usava Morgana a duas décadas, e este tempo pareceu somar-se ao peso do monumental machado. Abriu o alçapão secreto no chão com ajuda de Ricard e Wagner e desceu sozinho. Acendeu uma velha lamparina que dispensava óleo, e pode ver uma porta simples de madeira entre teias intermináveis.

- Schindler seu senhor e Waldar lhe ordena! Abra e se mantenha assim até o por do sol ou até que minha ordem diga o contrario. Schindler o senhor de Morgana lhe ordena!
E ao final destas palavras Schindler gotejou uma gota de seu sangue, que pingou da ponta de um de seus dedos, e logo um som de tranca se ouviu. A porta se abriu revelando uma sala grande e ampla, muito bem arrumada e iluminada, uma sala mística que poucos teriam igual. A sala contendo um sem numero de objetos, jóias, ouro, obra de artes e armas revelou-se diante de velho que adentrou a porta.

Bonecos de madeira vestidos de belas e finas armaduras estavam dispostos em fila, cada armadura com seus distintivos e formas, estava dispostos em circulo por toda a sala, eram ao menos dezesseis manequins todos blindados dos mais belos e reluzentes metais. Uma armadura em especial não estava em nenhum dos bonecos e sim sobre uma mesa disposta ao centro, e na direção desta Schindler se dirigiu. Uma roupa simples, confeccionada de fino tecido com visíveis fios de ouro e vários adornos de metal incrustados de jóias. Um par de braçadeiras, grevas, cinto e elmo estavam dispostos encima da mesma mesa. Esta era a composição da vestimenta do velho. Schindler se vestiu.

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Continua...

Jean Delumeau - História do Medo no Ocidente



A história do medo no ocidente se torna uma miscelânea de informações do período de 1300 até 1800 contendo informações finamente garimpadas nas mais diversas fontes e registros históricos, durante muitos anos de pesquisa. O período é diverso, mas segue todo um padrão europeu de contar, mesmo tendo as Américas descobertas no final do século XV, estas praticamente não são citadas, no tocante dos colonos, no transcorrer do livro. Temos o foco totalmente na Europa dos nobres corajosos e nos camponeses supersticiosos, com atenção maior nas mazelas do coração humano e o “vestindo” com o menos nobre dos sentimentos, o medo. Uma rápida citação demonstra isto logo no inicio do livro, ainda na parte introdutória: “O medo é a prova de um nascimento baixo” (Eneida, IV, 13 – História do Medo no Ocidente, Intro, pag 15).
A introdução tem inicio com a descrição, muito curiosa e de gostosa leitura, da cidade de Asgsburgo em 1580. Delegando a parte introdutória a obrigação de ser didático e explicando as razões o que fizeram o autor a pesquisar este tema. Nesta parte conhecemos um pouco melhor o autor e compreende-se o motivo de seu foco narrativo.
A partir da introdução o autor parte para uma forma mais dialética do assunto tema de sua obra, o medo. Procurando contra por as manifestações políticas, sociais e econômicas ao caráter do receio e o medo do outro; entenda que o outro citado é sempre o estrangeiro e tudo que for desconhecido, tanto natural quando místico. Temos assim capítulos estruturados em uma cadeia genérica de manifestações do medo, e por sua vez subdivididos sessões que procuram esmiuçar mais profundamente e detalhadamente cada um dos capítulos que compõe. Isso é a constante nas mais de seiscentas paginas que compõem o livro.
Sabendo da estrutura usada e do tema, prepara-se para um conteúdo que pode lhe surpreender e instigar muita curiosidade. O autor se pauta firmemente em relatos históricos, em documentos da igreja e cartas escritas nas variadas épocas. Curiosos relatos são a principal atração dos fatos relatados. Notamos contudo um texto especifico, garimpado para aflorar toda e qualquer história de medo, e julgando em camuflado ou manifesto e iniciando o ralato logo no primeiro capitulo sobre o medo que ele, o autor, julga sendo o mais límpido sem falcas aparências, sendo assim ele atribui ao mar e vem com ricos meandros e curtos debates de épocas sobre este medo e mesmo para os bravos que o desbravavam, o medo seria o limite da ousadia e a distinção de uma tendência ‘Nobre coragem” ou de um plebeu aterrorizado. Percorrendo os mistérios ele vai desembocando de forma muito natural e até relativa nós próximos temas, ou melhor, nós próximos tipos de medo. Fantasmas tem todo um conteúdo especial logo depois do mar e anterior ao medo da noite.
As trevas têm importância grande na parte do medo e englobam uma gama de outros menos consigo. Aqui nota-se muitos medos geradores de tantas lendas que temos na época contemporânea nasceram lá nos séculos XV e XVI, como o curioso relato documentado por padres, e principalmente estes sobre animais, no caso lobos, que invadiam as cidades e devoravam as pessoas sem ao menos rasgares as roupas, uma ligação direta aos atuais lobisomens do nosso atual folclore literário e popular. Ligando as trevas, temos a peste, com a peste bubônica acompanha um grupo de doenças que foram epidêmicas em mais diversos momentos do ocidente.

O medo entra por uma parte mais voltada ao físico e a carne quando se aborda o tema das sedições. Os padres e as mulheres são temas abordados em especial, as sedições dos camponeses são relatadas e dialogadas com os relatos abordados, mas os fatos mais interessantes são o medo em volta da figura feminina, muito bem abordado revelando informações inusitadas e curiosas. As mulheres são chamadas, em uma parte do texto, de “metade subversiva da humanidade”, isto passa bem a idéia dos perigos que o feminino trazia. Não por coincidência que as bruxas e as feiticeiras eram por definição mulheres, o numero de homens que eram acusados e julgados por tais praticas sempre foi, infinitamente menor.
Seguindo na segunda parte do livro, temos os medos culturais e suas abordagens diversas, como se a própria cultura incentivasse o medo. A parte escatológica é fundamental nesta parte do argumento, abordando os medos que são guardados no coração que dos individuo independente da religião do individuo. O satã, judeus, pagãos, a morte, e todo tipo de medo ou receio que habita no coração do ser onde a única saída é a palavra de Deus. Mas um fator interessante é que somente Deus poderia resguardar seus “filhos” do poder do mau, já que o próprio Deus é incapaz de extirpar satã e todo o mau do mundo.
Feitiçaria não tarda a chegar, apesar de que todo o livro vai se pautando, principalmente quando envolvem as trevas e os lobos, em insinuar à freqüente influencia das forças da bruxaria e de feitiçaria no transcorrer do tempo. Interessante quanto citar bruxarias e feitiçaria é lembrar que inúmeras superstições e “simpatias” tem sua origem em costumes pagãos, tanto de outras religiões diversas quanto especificamente da religião judaica. A perseguição das praticas de bruxarias, e quaisquer costumes não cristãos, foram veementemente combatidos e a inquisição teve mão forte contra tais praticas. Mais para o final do livro, podemos encontrar uma tabela do numero de execuções e a região que ocorreram no decorrer de algumas décadas. Muito importante dizer, que as “marés” de execuções costumavam mudar ao gosto de temporadas, como podemos perceber no texto. Sendo assim poderíamos até mesmo detectar possíveis crises religiosas ou adventos de outros problemas, sejam de ordem popular, de ordem nobre ou de demanda econômica, sempre tendo como “norte” este crescimento da ação religiosa de tempos em tempos.
Analise critica

O valor da obra se mostra inquestionável, não só por sua qualidade textual ou por seu cuidado em escrever sobre um grande numero de relatos e documentos, mas se faz inquestionável por ser a obra que precedem quaisquer outras do gênero. Faz parte da “História das mentalidades”, e faz muito bem seu papel em apresentar o medo de inúmeras formas e maneiras, tanto para cada individuo quanto no meio social, tanto para camponeses e burgueses quanto para nobreza.
Porém, é preciso relativizar. Conhecendo um pouco do autor e de sua formação e preferências, vemos que seu foco sempre envolve as questões da igreja e isso não chegue a ser um problema do texto. Temos que lembrar que, o historiador acha o que procura nos documentos e nas demais fontes. A história é construída ou montada de acordo com o recorte, e neste caso, a documentação a qual o pesquisador se faz preferência. Sendo assim é preciso averiguar e analisar o quanto o medo realmente consta no dia a dia da população. Por muitos momentos, pude perceber que o medo, já daquela época, é tudo uma analise recorrendo de problemas comum, nada muito diferente do que temos, e vemos, no nosso dia a dia, nos jornais e revistas que lemos e vemos freqüentemente. Sendo assim, será que colocar o medo como a força motriz da história e sentimentos humanos no período de 1300 até 1800 é julgar muito unilateralmente questões previamente definidas pelo autor?
 Sendo historiadores e ou pesquisadores temos que saber absorver as informações de quaisquer fontes, contextualizar, analisar, filtrar, etc, para podemos alçar a alguma conclusão mais apurada para nosso próprio interesse e pesquisas. Esta análise vai depender muito da “bagagem cultural” de cada leitor. Autores como François Rabelais ou E.P Thompson, não me passaram em suas obras, Pantagruel e Senhores e Caçadores respectivamente, este medo que parece permear indistintamente a história abordada por Delumeau. Mesmo o foco de Senhore e caçadores sendo nas leis inglesas do final do século XVII e primeira parte do século XVIII, a obra mostra de forma natural que a percepção da pesquisa de Delumeau, no caso o medo, é inteiramente ou grande parte, do foco todo especial que ele da ao seu tema escolhido e não de fonte total da sociedade.
A contextualização é muito rica e intrigante. O trabalho de pesquisa é primoroso e a forma de construir e desenrolar dos textos são muito bons, mesmo que às vezes pareça se estender demais em um mesmo tema ou se repetir em diferentes tempos, a História do medo no Ocidente é um livro de cabeceira para qualquer pesquisador do da história moderna.

Recomendações
Um grupo de informações isoladas seriam muito interessantes para leigos e/ou curiosos sobre o tema. Contudo a gama de informações torna o livro por demais maçante, mesmo para um acadêmico, e se tornaria pior ainda para um curioso da história ou afins. Este livro é de extrema recomendação para qualquer pesquisador do período, do tema ou mesmo de história em geral. Mas, de forma alguma recomendo esta leitura fora destes interesses já citados.
Seria de interesse que as informações desta obra sejam de conhecimento de muito mais pessoas que minha recomendação, contudo, cabe ao professor ou alguém de uma área afim, sintetizar as informações do livro. Muito curioso e interessante tema se apresenta, mas sintetizar as partes mais agradáveis e importantes que alunos de ensino médio ou graduação se interessem é uma missão do professor e/ou pesquisador.


Jean Delumeau, nascido em Nantes em 18 de junho de 1923. Estudou em colégio interno mantido pelos salesianos e lá teve seu contato mais marcante com a o tema religião. É um historiador Frances especializado em estudos sobre a história da igreja católica e autor de inúmeros outros trabalhos relacionados com o tema. Dedicou-se a outros temas como o Renascimento e recebeu um premio da Academia Francesa em 1967 devido este tema. Foi professor da Cadeira da História das Mentalidades religiosas no período de 1975 até 1994 no Collège de France. Possui muitas obras publicadas e de importância reconhecida, entre elas estão: A civilização do Renascimento e As grandes religiões do mundo.
Autor da Resenha.
Rafael Mesquita Jacaúna, 25 anos, Fluminense, professor de história, integrante do curso de pós-graduação da Universidade Federal Fluminense, formado pela universidade Estácio de Sá.

O queijo e os Vermes - "Romanceado".



Lá estava Menocchio sentado perante o inquisidor. Menocchio, um pobre moleiro de Montereale estava mais uma vez perante os representantes da igreja se explicando por palavras ditas, palavras estas que já haviam lhe causado outros interrogatórios à 15 anos. Parecia que os três anos de prisão não “expulsaram” o demônio de seus pensamentos e mais uma vez se explicava perante as autoridades eclesiásticas.

O forro da cadeira não estava confortável há muito. Menocchio, um interlocutor sagaz, rápido e desafiador, provavelmente o mais louco de todos, contudo o mais sensato em suas loucuras.
“Então, para o senhor Jesus não era filho de Deus” perguntou o inquisidor em desafio. “Somos todos filhos de Deus, e mesmo assim nascemos de uma mulher e de um homem como deve ser e como Jesus provavelmente foi gerado, mesmo sendo O escolhido pelo espírito santo e sendo o melhor dos homens eram tão carne e homem quanto os mais santos dos homens da Igreja”. A resposta era ao mesmo tempo uma negativa e uma afirmação, em seu histórico de interrogatórios Menocchio sempre deixava a duvida na mente dos inquisidores, se realmente eram heresias contra Deus ou uma interpretação simplória da divindade da trindade.
“Então se Deus é Ar, Jesus é Terra e o Espírito Santo é água você esta dizendo que o Espírito Santo possui um corpo, já que o Ar e a Terra são os corpos de Deus e Jesus respectivamente?” O inquisidor iniciou calmo e foi ganhando força enquanto caminhava na direção do moleiro sentado à cadeira. “Eu disse que Deus esta em todas as partes e isto são analogias comparativas, Deus esta em todas as partes, Deus é tudo que desejar ser e ser tudo que quiser ser ao mesmo tempo...”
Prontamente como se guardasse uma faca escondida o inquisidor puxou a frase que parecia escorrer dos seus lábios dês do inicio do interrogatório. “Então esta dizendo que Deus pode ser um demônio e todo o inferno?” Menocchio não parecia aturdido pela pergunta mortal e respondeu de forma rápida e calma - “Deus pode ser tudo que há de bom neste mundo, pois Deus é a representação máxima de tudo que à de bom, logo a Santa família jamais poderia ser representante do mal e de nenhum de seus fazeres...”
 
Carlos Ginzburg Nascido em 15 de abril de 1939 (72 anos) na Itália.
Antropólogo.
O conto acima é inspirado no livro “O queijo e os Vermes” de Carlos Ginzburg. Um livro do mais alto nível de excelência. Pena que não recomendo para leitores típicos de romances, pois é um livro acadêmico. Mas acho que pude instigar ao menos a vontade de leitura deste fantástico livro. É um livro pequeno, menos de 250 paginas contando a história verídica, retirada direto da documentação da inquisição do século XVI, sobre um moleiro chamado Menocchio que atribuía à origem do universo, o gênese, com uma analogia da feitoria do queijo, onde os anjos eram os vermes que surgiam espontaneamente assim como Deus foi “tomando consciência” neste mesmo processo.
É até mesmo impactante conseguir imaginar os pensamentos deste homem, um camponês dos anos de 1560, com tantas idéias incríveis. Saber que um camponês de uma cidadezinha sabia ler e escrever, e tivera acesso a poucos volumes (poucos em relação à quantidade infinita que temos hoje), conseguiu instigar tamanha curiosidade com suas conjecturas que seu processo de heresia é um dos maiores ou até o maior de uma única pessoa do campo, já registrado. Como o autor diz, Menocchio é único, e complemento, pois não ficou anônimo.
O livro balança a imagem da Igreja, e consecutivamente da inquisição, como mão esmagadora sem misericórdia. Se assim fosse à sua totalidade Menocchio seria morto depois do primeiro interrogatório. Os inquisidores para entregar o julgamento às autoridades deveriam, e faziam questão, de esclarecer todas e quaisquer duvidas sobre o caso. Às vezes, como se vê mais para o final do livro, tortura era comumente aplicada, mas curiosamente a aplicação da tortura era proporcional ao estado da saúde do interrogado. Não que isso torne a tortura louvável, mas vale lembrar que a violência era, e até hoje é em algum grau, o cotidiano popular. Ser violento e viver nesta violência são o comum da época, assim, não sem propósito que castigos violentos eram a regra.
Relativize, o período de Menocchio estava bem próximo do período chamado “reforma protestante”. Isto é, a Igreja católica estava começando a ter seu poder contestado com mais força e isso, supostamente, seria um excelente motivo para uma rápida e dura punição de qualquer investigação de heresia, contudo, Menocchio vive muito, muitos anos até ser punido com todo o rigor da “lei”. Então, pense a igreja realmente era o monstro cortador de cabeças e fazedora de churrasco como se é de conhecimento publico?
Se pergunte, se não fosse à ação da Igreja católica, na era medieval, principalmente, será que a cristandade teria 1/3 da força que tem hoje?
Duvido muito...
Sem dar mais informações sobre o livro, é uma ótima fonte de conhecimento de uma realidade que pouco interessa ao cinema e o mundo do entretenimento em geral.